Por Osmar Gomes
Juiz de Direito da Comarca da Ilha de São Luís; Membro das Academias Ludovicense de
Letras, Maranhense de Letras Jurídicas e Matinhense de Ciências, Artes e Letras.
Em qualquer parte sobre o globo, qualquer que seja a nação, a educação é tema recorrente e, sem dúvidas, o mais essencial para um povo. Desde que o mundo é mundo e o homem compreende seu espaço no meio em que habita, o processo de conhecimento passou a ter importância. Hoje, é lugar comum dizer que só a educação é capaz de transformar, de fazer prosperar uma nação.
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| Juiz Osmar Gomes |
Seja na
política, no esporte ou em qualquer outra área em nossa sociedade, a educação é
uma sinfonia de uma nota só. O problema é que os componentes dessa orquestra
parecem estar ainda muito desafinados – fora de sintonia – e longe de
apresentar um grande espetáculo ao cidadão.
Comemoramos,
no último dia 28, o Dia Mundial da Educação. Bom, na verdade não há tantos
motivos assim a se comemorar, a não ser o fato de a data servir como reflexão
para o extenso caminho que ainda temos a percorrer.
A data é
celebrada desde 2000, quando da realização do Fórum Mundial da Educação que
reuniu 164 líderes mundiais, no Senegal. Naquela ocasião, houve um pacto
firmado para que as nações não poupem esforços a fim de que a educação chegue
para todos, em quantidade e qualidade.
No
entanto, quase 20 anos após a conferência, estudos apontam que professores
brasileiros recebem salários menores do que a média em países desenvolvidos,
crianças ainda estão fora da escola, a merenda é de péssima qualidade e o
transporte escolar, além de insuficiente é, em grande parte, precário e
inadequado.
Exsurge
aqui uma peculiar reflexão, que me faz questionar o que nos difere tanto desses
ditos países? Será que somos inferiores na escala evolutiva? O rótulo do
subdesenvolvimento está impresso no gene de cada brasileiro? Não. O fato de
estarmos tão atrasados do ponto de vista do progresso é o fato de que lá, os
“gringos” levam a sério questões que aqui são relegadas a segundo, terceiro,
quarto plano, a exemplo da educação.
Nosso
sistema é pesado. Isso inviabiliza reformas estruturantes, tal como a da
educação. Burocracia e até disputas políticas impedem que avanços
significativos ocorram, tal como na educação. A falta de qualificação e
investimento permanente em infraestrutura interfere na melhoria dos processos,
tal como na educação. A corrupção corrói a infraestrutura, a qualificação, os
salários, tal como na educação. Roubam-se a dignidade e a esperança de um povo.
A
educação pública brasileira, com raros esforços, está na berlinda. Faltam
condições mínimas dentro e fora das salas de aula. Falta merenda, faltam
carteiras, falta qualificação e melhor salário para os professores, assim como
a adequada divisão por classes, uma vez que ainda é realidade em centenas de
municípios brasileiros as salas multisseriadas no ensino fundamental.
Ainda
temos municípios, aqui mesmo em nosso Estado, não tão diatante da capital, em
que as escolas estão desabando, quase que caindo sobre as cabeças das crianças,
outras estão desativadas e as ceianças estudando em locais inadequados e
tomando água diretamente da torneira armazenada em balde de zinco, calamidade
total, desrespeito e vergonha.
Nas
grandes cidades, outro problema vem tirando o sono de coordenadores,
professores, alunos e suas famílias: as drogas. Falta segurança para docentes e
discentes, que estão se tornando reféns dos criminosos até mesmo dentro das
unidades de educação. A consequência disso se reflete no episódio ocorrido na
última semana, quando um adolescente de 17 anos invadiu uma escola em Goiás,
sacou a arma e tirou a vida de um educador.
Tudo isso
aponta para a falta de interesse em lecionar e de reproduzir educadores Brasil
afora. A pesquisa Todos Pela Educação, divulgada recentemente, comprova que 49%
dos professores não indicam a docência aos seus alunos. Esse paradoxo é o
retrato que se tem de uma educação que está na UTI, cujos professores
desvalorizados e desmotivados apenas conseguem manter vivo um paciente que
agoniza.Se há desinteresse na motivação para a docência, há manifesta renúncia
à ideia de se tornar educador. O já trágico quadro termina por receber uma
macabra moldura do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico, que afirma que nos últimos anos caiu de 7,5% para 2,5% o percentual
de jovens que pretendem se tornar professores no país.
Já na
antiguidade Aristóteles afirmava que a Educação é a mola propulsora da
sociedade, uma vez que ela desenvolve outras áreas essenciais ao povo. A cidade
perfeita e o cidadão feliz, fim que deveria buscar o governante, só seria
alcançada com Educação. Paulo Freire era defensor da pedagogia crítica, voltada
para problemáticas da atualidade, por meio da qual o cidadão constrói sua
consciência critica de forma autônoma.
O Brasil
precisa sair dessa paralisia. Não há sucesso na vida – pelas vias legais e
morais – se esse caminho não for sedimentado pela educação. O educador é o
profissional mais importante em uma sociedade e um dos que deveriam ser mais
valorizados, pois são eles que têm a missão de formar todos os demais
profissionais. O futuro da nação passa pelas mãos dos professores.
Da Grécia
antiga aos tempos atuais, o certo é que é necessário abandonar o discurso
polido, repleto de retórica vazia, e partir para ações concretas em uma grande
frente pela educação. Defendo um pacto republicano pela educação, envolvendo
municípios, estados e união trabalhando juntos em uma só direção. O jovem não é
o futuro, mas o presente, aqui e agora, para quem a atenção primordial
deverá estar voltada.


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